Este post foi publicado no dia 14 de Fevereiro de 2014 no Blog
2 Dedos de Conversa pela Blogger Helena Araújo
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14 Fevereiro 2014
brincadeiras de crescidos (2)
Em Portugal temos há eternidades o Big Brother, no qual as pessoas se sujeitam a cenas tristes, ridículas, humilhantes e até indignas - e são observadas e gozadas por milhões. A Quinta das Celebridades: idem. A Casa dos Segredos: idem.
Temos vários programas que vivem (e vivem muito bem) da criação de contextos artificiais nos quais as pessoas aceitam fazer aquilo que normalmente não fariam, e são expostas de forma indecente para rentabilização de uma certa sede de boçalidade que há nas audiências.
O país parece dar-se bem com isso. Diz-se que há que respeitar a liberdade destes adultos que escolhem participar e aceitar as regras deste jogo, acabando até por conquistar um certo estrelado.
Mas depois os nossos jovens chegam à universidade e fazem questão de ser praxados (de se sujeitaram e cenas tristes, ridículas, humilhantes e até indignas), e nós ficamos muito surpreendidos e chocados, e desatamos a protestar que parece impossível, e onde está o seu sentido de dignidade e decência?, e como é possível que eles se sujeitem a isso e os mais velhos os sujeitem a isso?, e que este mundo está roto.
Pensando bem, o que seria de admirar é que depois de todo o lixo que a nossa sociedade lhes serve em prime time, eles chegassem ao princípio da idade adulta com uma consciência muito clara da sua dignidade e dos limites que - nem a brincar - podem ser ultrapassados.
Temos vários programas que vivem (e vivem muito bem) da criação de contextos artificiais nos quais as pessoas aceitam fazer aquilo que normalmente não fariam, e são expostas de forma indecente para rentabilização de uma certa sede de boçalidade que há nas audiências.
O país parece dar-se bem com isso. Diz-se que há que respeitar a liberdade destes adultos que escolhem participar e aceitar as regras deste jogo, acabando até por conquistar um certo estrelado.
Mas depois os nossos jovens chegam à universidade e fazem questão de ser praxados (de se sujeitaram e cenas tristes, ridículas, humilhantes e até indignas), e nós ficamos muito surpreendidos e chocados, e desatamos a protestar que parece impossível, e onde está o seu sentido de dignidade e decência?, e como é possível que eles se sujeitem a isso e os mais velhos os sujeitem a isso?, e que este mundo está roto.
Pensando bem, o que seria de admirar é que depois de todo o lixo que a nossa sociedade lhes serve em prime time, eles chegassem ao princípio da idade adulta com uma consciência muito clara da sua dignidade e dos limites que - nem a brincar - podem ser ultrapassados.
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