Os
grandes avanços da civilização", escreveu Milton Friedman em
Capitalismo e Liberdade (1962), "na arquitetura ou na pintura,
ciência ou literatura, indústria ou agricultura, nunca tiveram
origem no governo". Não explicou onde é que inseria a arte
patrocinada pelo Estado na Atenas de Péricles, nem os Médicis que,
enquanto banqueiros dominantes e dirigentes florentinos, encomendaram
e financiaram tanta da arte do Renascimento. Ou a corte espanhola,
que nos deu Velázquez. Ou o Manhattan Project do governo
norte-americano, que originou a produção da bomba atómica, ou os
Institutos Nacionais de Saúde, cujas bolsas concedidas conduziram a
muitas das mais importantes inovações farmacêuticas.
Talvez
pudéssemos perdoar os comentários mal informados de Friedman como
uma explosão de entusiasmo ideológico, se tantos economistas e
executivos não aceitassem este mito como verdadeiro. Ouvimos
repetidamente de quem não se esperaria que o governo é um obstáculo
às inovações que produzem crescimento. Que devia sair do caminho.
Lawrence Summers disse algo do género pouco depois do fim do seu
mandato como ministro das Finanças de Clinton: "Há algo nesta
época que atribui um valor preponderante aos incentivos, à
descentralização, ao permitir que a pequena energia económica flua
de baixo para cima, em vez de optar por uma abordagem mais direta, de
cima para baixo. Mais recentemente, o economista Robert Gordon
afirmou-se "extremamente cético em relação ao governo"
como fonte de inovação. "Esse é o papel dos empreendedores. O
governo não teve nada a ver com Bill Gates, Jobs, Zuckerberg."
Felizmente,
um novo livro, The Entrepreneurial State, da economista da
Universidade de Sussex Mariana Mazzucato, documenta enfaticamente o
quanto essas afirmações estão erradas. A investigação vai muito
além da história batida sobre como a internet foi desenvolvida no
Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Por exemplo, embora Steve
Jobs tenha imaginado e concebido de maneira brilhante novos produtos,
a pesquisa científica de base para o iPod, iPhone e iPad deveu-se a
cientistas e engenheiros apoiados pelo governo, na Europa e na
América. A tecnologia touch-screen baseou-se em pesquisas feitas em
laboratórios financiados pelo governo nos anos de 1960 e 1970.
Gordon
designou os Institutos Nacionais de Saúde um útil "apoio"
governamental ao muito mais importante trabalho das farmacêuticas.
Mas Mazzucato demonstra que estes Institutos foram responsáveis por
75% dos maiores avanços conhecidos, entre 1993 e 2004.
Marcia
Angell, antiga editora do The New England Journal of Medicine,
descobriu que as novas entidades moleculares que tinham prioridade
como possivelmente conducentes a avanços significativos no
tratamento médico eram sobretudo criadas pelo governo. Como refere
em The Truth About the Drug Companies (2004), apenas três dos sete
medicamentos de alta prioridade em 2002 tiveram origem em
farmacêuticas: o Zelnorm foi desenvolvido pela Novartis para tratar
a síndrome do intestino irritável, a Gilead Sciences criou o
Hepsera para a hepatite B e o Eloxatin foi criado pela
Sanofi-Synthélabo para o cancro do cólon. Isto está muito longe da
afirmação de que é o sector privado que realiza quase todas as
inovações.
A
ascensão de Silicon Valley, o centro de alta-tecnologia americano em
Palo Alto, Califórnia, é supostamente o exemplo por excelência de
como as ideias empreendedoras tiveram sucesso sem a direção do
governo. Como Summers descreve, as novas ideias económicas "nasceram
das lições da experiência de sucesso da descentralização num
local como Silicon Valley". De facto, foram os contratos
militares para a investigação que deram o impulso inicial às
empresas do Valley e a política de defesa nacional influenciou
intensamente o seu desenvolvimento. Só 27 das 100 invenções mais
importantes registadas pela R&D Magazine nos anos 2000 foram
feitas por uma firma, em contraponto com as criadas só pelo governo
ou por uma colaboração entre entidades financiadas pelo governo.
Entre desenvolvimentos recentes dos laboratórios do governo
encontra-se um programa de computador para acelerar
significativamente a busca e processamento de dados, e o Babel, que
traduz linguagens de programação.
Apesar
de todos os aplausos dedicados ao capital de risco, diz Mazzucato, as
empresas privadas muitas vezes só investem depois de as inovações
terem percorrido um longo caminho sob a muito mais ousada pesquisa
básica e paciente investimento de capital do Estado. Cada vez menos,
a pesquisa básica é feita pelas empresas. Estas concentram-se no
desenvolvimento comercial de pesquisas já feitas pelo governo.
O
Facebook dificilmente era lucrativo quando entrou na Bolsa, em 2012,
a um preço por ação que o fez valer mais de 100 mil milhões de
dólares. No princípio deste ano, comprou, por 19 mil milhões, o
serviço de mensagens WhatsApp, que chega aos 450 milhões de pessoas
e tem apenas 55 empregados. A concorrência pode aniquilar a vantagem
da WhatsApp. Ainda nem é claro se o próprio Facebook conseguirá
manter a sua lucratividade. Só podemos imaginar os benefícios se
esse dinheiro tivesse sido gasto mais cedo, no ciclo básico da
pesquisa.
Investigação
governamental e capital das empresas são duas condições
necessárias ao avanço da inovação. Mas a resistência ao
reconhecimento da contribuição fundamental do governo existe.
Tornou-se especialmente vigorosa quando o projeto de energia solar
estatal de Obama, o Solyndra, ao qual o governo emprestara mais de
500 milhões de dólares, foi à falência. A empresa foi aniquilada
quando o alto preço do silicone, em que se baseava uma tecnologia
alternativa ao Solyndra, caiu a pique, permitindo à concorrência
praticar preços mais baixos do que a start-up americana. Mas os
críticos viram o fracasso como prova de que o governo não podia
investir nesses empreendimentos. "Os governos sempre foram
desastrados a "escolher vencedores", e é provável que se
tornem ainda mais, à medida que legiões de empreendedores e
curiosos trocam desenhos online", escreveu a The Economist em
2012. Porém, incluindo o Solyndra, só 2% dos projetos parcialmente
financiados pelo governo federal faliram.
O
exemplo mais pertinente da importância do Estado é o quanto Steve
Jobs estava dependente dele. Depois do declício dos laptops, nos
anos 1990, o iPod (2001), que destronou o Sony Walkman, e os sistemas
touch-screen do iPhone e iPad (2007) transformaram a empresa na força
motriz eletrónica dos nossos tempos. A vendas quase quintuplicaram e
o valor em bolsa subiu de cerca de 100 dólares para mais de 700 por
ação. "Embora os produtos devam o design e integração hábil
ao génio de Jobs", escreve Mazzucato, "praticamente toda a
tecnologia avançada do iPod, iPhone e iPad é uma realização dos
esforços de investigação e apoio financeiro do governo".
Uma
importante descoberta realizada com fundos do governo, conhecida como
magnetorresistência gigante, que deu aos seus dois inventores
europeus um Prémio Nobel da Física, é um bom exemplo desse apoio.
O processo aumenta a capacidade de armazenamento dos computadores e
aparelhos eletrónicos. Foi o que tornou o iPod possível. Outros
desenvolvimentos importantes da Apple tiveram também as suas
"raízes" na investigação federal, entre eles o sistema
de posicionamento global do iPhone e o Siri, o assistente pessoal
ativado pela voz.
A
Apple é apenas uma de muitas. No princípio dos anos 1980, o governo
federal constituiu o muitas vezes esquecido Sematech, o consórcio
Semiconductor Manufacturing Technology, uma parceria de empresas de
semicondutores americana concebida para combater a crescente
liderança japonesa nas tecnologias chip. Os Estados Unidos
forneceram 100 milhões de dólares por ano para incentivar as
empresas privadas a unir-se ao esforço, incluindo a gigante da
inovação Intel. Praticamente todos os especialistas reconheceram
que o Sematech restabelecia a competitividade dos EUA na área dos
processadores e chips de memória, levando a uma enorme redução de
custos e a uma miniaturização radical. Os minúsculos circuitos com
enormes memórias que daí resultaram são fundamentais à maioria
dos produtos eletrónicos atuais, explorados por empresas como a
Microsoft e a Apple.
Mazzucato
não diz que os empresários e o capital de risco não tenham feito
contribuições fundamentais, mas sim que são, de modo geral, mais
avessos ao risco que os investigadores do governo. O gestor de
capital de risco William Janeway reconhece as contribuições
fundamentais do governo em Doing Capitalism in the Innovation
Economy. "O sucesso em "libertar" a economia de
mercado da intrusão do Estado tem consequências nefastas para a
Economia da Inovação." Com o desenvolvimento das altamente
lucrativas corporações do aço, petróleo, alumínio, químicos e
comunicações desde os finais do século xix, refere, a investigação
crucial foi cada vez mais dominada pelo sector privado. Isto não é
um exemplo de funcionamento do mercado livre, diz. Os lucros enormes
e indisputados das grandes empresas oligopólicas permitiu-lhes fazer
investimentos a longo-termo na investigação.
Uma
mudança importante ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial. A
investigação científica financiada pelo governo tornou-se crítica
ao sucesso comercial. Pode muito bem ter sido o Manhattan Project a
incentivar um gasto federal sério em investigação. O Congresso
criou uma Fundação Nacional para a Ciência e os Institutos
Nacionais de Saúde foram expandidos. E enquanto isso, os maiores
líderes privados em investigação, como os Bell Labs e a Xerox
PARC, iam ficando menos ricos e começaram a fechar ou cortar
compromissos com os laboratórios de pesquisa nos anos 1980 e 90.
Em
resposta ao lançamento do Sputnik pela União Soviética, o
Departamento de Defesa criou, em 1958, o que viria a tornar-se a mãe
da internet, a Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA). Mas
o Departamento de Defesa já tinha financiado 20 projetos para ajudar
a construir computadores digitais.
O
financiamento federal contribuiu com mais de 50% para toda a I&D
americana entre os anos 1950 e 1978 e excedeu o total gasto por todos
os outros países da OCDE. A justificação convencional é que as
empresas não fazem investimentos suficientes porque nenhuma sozinha
poderia beneficiar o suficiente do potencial retorno financeiro.
Mazzucato
argumenta que a investigação governamental foi visionária. Não só
reduz os riscos no mercado, como abre a tecnologia a ideias
inteiramente novas. Cita a forma como o governo dirigiu o
desenvolvimento de novas tecnologias fundamentais em esferas como a
tecnologia da informação, biotecnologia e nanotecnologia. Argumenta
ainda que o financiamento estatal, mesmo em etapas mais avançadas,
pode ser benéfico - na Dinamarca, China e Alemanha resultaram em
empresas bem-sucedidas. O capital de risco, diz Mazzucato, "toca
e foge" demasiado depressa para inspirar confiança e incentiva
êxitos de curta duração. Também Janeway defende que o governo
invista mais, mas tem uma perspetiva mais convencional. "O
Estado pode desempenhar um papel decisivamente catalisador, mais do
que meramente construtivo. Porém, explorar o novo espaço para
aplicações inovadoras assim criadas permanece do domínio das
finanças empresariais, o mundo das bolhas e dos crashes."
Citando a história do boom dos caminhos de ferro no século xix, do
boom da eletrificação dos anos 20 e do da alta-tecnologia dos anos
1990, afirma que estas bolhas são o combustível necessário à
inovação produtiva, porque a incerteza de um futuro lucrativo para
estas empresas é demasiada para outros investidores.
O
principal argumento de Janeway é que, embora haja muito desperdício
nas bolhas especulativas, alguns destes investimentos tornar--se-ão
grandes sucessos. Um exemplo dos benefícios a longo prazo do
frenesim de compra foi a Neustar, fornecedora da tecnologia que
permitia aos clientes manterem o seu número de telefone ao mudar de
operadora. Tinha um plano de negócios viável, obteve financiamento
e sobreviveu ao crash de 2000, ganhando Janeway e os seus sócios
cerca de mil milhões de dólares num investimento de 77 milhões.
Para
Janeway, assim como para o admirado economista austríaco Joseph
Schumpeter, que chegou a ensinar em Harvard, isto é o capitalismo
saudável em funcionamento. Muito antes da Segunda Guerra, Schumpeter
chamou-lhe "destruição criativa", uma expressão que se
tornou famosa. Ainda assim, Janeway atribui à investigação básica
do governo muitos, se não a maior parte dos créditos. A maioria do
investimento de capital de risco privado foi direcionada para a
tecnologia de informação ou a biotecnologia e não para outras,
precisamente porque o governo abriu o caminho.
Janeway
defende as bolhas, mas do género bom, como o boom da alta-tecnologia
dos anos 1990. O boom hipotecário da década de 2000 foi uma bolha
"má" - mas pouco nos diz sobre como distingui-las. Durante
anos, os defensores do boom hipotecário argumentaram que este se
justificava pelo imenso aumento na propriedade de casas, por exemplo.
"A minha preferência seria minimizar as bolhas por meio de
restrições ao endividamento e à compensação bancária, porque os
incentivos facilmente tornam os investidores ricos, resultando em
pouquíssimos produtos úteis de valor duradouro. Essas bolhas também
provocam fraudes a larga escala, como as contas fictícias da Enron,
ou as práticas enganosas de venda dos corretores hipotecários. A
recompensa por fazer batota torna-se demasiado alta", diz.
Neste
momento, o país pode perfeitamente encontrar-se numa bolha de
alta-tecnologia, como prova o preço pago pelo serviço de mensagens
da WhatsApp. A grande empresa de capital de risco Sequoia investiu 60
milhões na WhatsApp nos últimos anos. Desde a oferta do Facebook,
tem agora um valor entre 2 e 3 mil milhões de dólares. Mas não
saberemos se esta é uma das bolhas "boas" até que aumente
o rendimento ou vá à falência. Competindo com aplicações como o
Skype e o Google Hangouts, sobreviverá?
Mazzucato
pode subestimar os perigos que os capitalistas de risco correm,
embora tenha toda a razão quando afirma que é o governo que corre
os riscos maiores. Cita três outros exemplos importantes de
programas de investigação do governo que funcionaram bem e são
geralmente negligenciados nas discussões públicas. The Small
Business Innovation Research - iniciado, para surpresa de alguns, por
Ronald Reagan - forneceu financiamento à investigação a pequenas
empresas independentes, como a Symantec (segurança informática) e a
Qualcomm (telecomunicações). O sucesso desta pequena agência que
distribui 2 mil milhões de dólares de financiamento direto é quase
um segredo. Contudo, um inquérito e análise a 44 recipientes de
financiamento mostrou um significativo retorno positivo. O Orphan
Drug Act, também assinado por Reagan, atribui financiamento a
medicamentos para tratar doenças raras. A Novartis recorreu a este
ao desenvolver o seu Gleevec, para a leucemia, que em 2010 gerou
vendas da ordem dos 4,3 mil milhões de dólares.
A
National Nanotechnology Initiative talvez seja a mais digna de ser
analisada, pois é a tentativa do governo federal de descobrir "a
próxima coisa nova". Muitos, incluindo Mazzucato, pensam que a
nanotecnologia se tornará a próxima tecnologia para fins
generalistas, expandindo-se pela medicina, eletrónica e a criação
de novos materiais. Mas as aplicações comerciais ainda são
imprecisas. Mazzucato pensa também que a tecnologia verde para ser
bem-sucedida exige financiamento empenhado e prolongado do governo.
Uma
afirmação aceite tanto por Mazzucato e Janeway como pelos críticos
da interferência do governo é a de que a inovação científica
será uma fonte principal de aumento de produtividade para a
economia. Os académicos são influenciados pelas maravilhas da
revolução da tecnologia de informação. Mas há muitas fontes de
crescimento além da inovação técnica. Os gastos militares com a
Guerra Fria criaram uma persistente procura keynesiana. Uma economia
dependente da energia foi auxiliada por quedas intensas no preço do
petróleo quando novas jazidas foram encontradas no Médio Oriente,
embora o gás natural americano mais barato possa ter efeitos
similares no futuro. A construção do sistema nacional de
autoestradas conduziu ao desenvolvimento dos subúrbios. E, como o
nobel Edmund Phelps escreve no novo livro Mass Flourishing, (2013),
"uma cultura empresarial que comece de raiz é fundamental para
os pequenos aperfeiçoamentos que passam quase despercebidos mas
tornam possível a inovação ao nível nacional".
Nos
anos 1970, quando as empresas americanas foram ultrapassadas pela
concorrência japonesa e europeia, não foi tanto a inovação mas a
gestão que levou ao domínio estrangeiro. E algumas maravilhas
tecnológicas, como a energia nuclear, não tiveram um efeito
profundo na economia dos EUA. Nos últimos 20 anos, a produtividade
cresceu mas os salários estagnaram. A teoria económica sugere que
deviam crescer em conjunto. Estão as novas tecnologias a fracassar
na criação de empregos? Mazzucato reconhece que a relação entre
investigação, inovação e crescimento não é previsível. Mas ela
e Janeway fazem a pergunta correta. Onde estaríamos sem elas?
E
como financiamos aquilo de que precisamos? A contribuição do
governo para a inovação não é financeiramente recompensada. Os
benefícios para o governo, sempre se defendeu, seriam aumentos no
rendimento de impostos à medida que as empresas crescessem. A Apple
evitar quase todos os impostos recorrendo a estratégias
internacionais, tal como fazem muitas outras tecnológicas, mostra
que estas hipóteses são, em larga medida, falsas.
Mazzucato
propõe que, quando a pesquisa é usada comercialmente, o governo
cobre royalties para um fundo de inovação federal, que exija às
empresas que devolvam o valor das subvenções se os seus produtos
tiverem êxito. "Uma ferramenta mais direta são os bancos de
investimento estatal - na Alemanha, Brasil e China ganham milhares de
milhões de dólares, que podem reinvestir. O governo também pode
participar no capital de empresas que usem as tecnologias
desenvolvidas."
"Muitos
do problemas que a administração Obama enfrenta hoje devem-se ao
facto de os contribuintes americanos... não compreenderem que as
corporações estão a fazer dinheiro com inovações pagas pelos
seus impostos", diz Mazzucato. Quantos americanos sabem que o
algoritmo básico do Google foi desenvolvido com uma subvenção da
Fundação Nacional para a Ciência?
Sentadas
sobre biliões de dólares dos altos lucros atuais, as corporações
compram centenas de milhares de milhões de dólares das suas
próprias ações para aumentar os preços na Bolsa, em vez de
investirem em novas ideias ou pesquisas.
Tanto
Mazzucato como Janeway temem que os grandes investimentos chineses em
investigação básica produzam inovações que deixem os Estados
Unidos para trás. Sob os limites estabelecidos por embargo, os
programas governamentais de investigação estão agora a sofrer
cortes até ao nível mais baixo de percentagem do PIB dos últimos
40 anos.
À
medida que os gastos do governo com investigação caem, um novo
desenvolvimento, com potenciais benefícios mas também perigos, é o
aumento no financiamento à investigação - sobretudo nas ciências
e relacionado com questões ambientais e de saúde - feito pelos
novos bilionários, incluindo Bill Gates da Microsoft, Lawrence
Ellison da Oracle e Michael Bloomberg. As doações nem se aproximam
do que o governo gasta na investigação, mas houve sucessos
notáveis, sobretudo no tratamento da fibrose cística.
Mazzucato
apresenta uma das razões mais convincentes que já vi para o valor e
competência do próprio governo, e para a sua capacidade de fazer o
que o sector privado, simplesmente, não pode. Não é apenas uma
questão de reduzir o risco de investigação e inovação para as
empresas privadas. Os esforços do governo são fonte de novas visões
tecnológicas. E as inovações dos últimos 60 anos são a prova
disso.